Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo está de volta



Jornada Nacional de Literatura volta, para a alegria de todos nós, a ser realizada em Passo Fundo. Por causa da crise econômica, o evento deixou de ser realizado em 2015, mas agora volta com força total, graças à parceria entre os setores público e privado.

Por causa da Jornada Nacional de Literatura, a cidade gaúcha de Passo Fundo detém o honroso título de capital estadual e nacional da literatura.

O evento será realizado entre os dias 2 e 6 de outubro e terá como palco não somente o campus da Universidade de Passo Fundo, mas vários outros pontos espalhados pela cidade.

A Jornada Nacional de Literatura, que já conta com 36 anos, terá diversos debates e discussões abertas à toda comunidade, que vão acontecer nos bares da cidade. Bem a cara de escritores e poetas.

O Brasil carece de eventos como esse em todo o seu território. Houvesse mais eventos como a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, nosso país seria outro, pois os jovens seriam estimulados a desenvolver sua consciência crítica. Mas é aí que mora o perigo para os políticos. População crítica não aceita suas barbaridades e roubalheiras.

Enquanto iniciativas fantásticas e tradicionais como a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo deixam de ser realizadas, interrompendo um ciclo de mais de três décadas, por pura falta de recursos financeiros, como foi o caso nos últimos dois anos, a Lei Rouanet que deveria ser usada neste sentido, foi totalmente deturpada, beneficiando artistas podres de rico com milhões de reais para, dentre outras aberrações, criar um blog.

Não sei se eu rolo de rir ou se rolo de chorar, pois este blog que por ora você lê foi criado totalmente de graça, com todos os recursos tecnológicos fornecidos pelo Google que me garante uma exposição em 99,9% do tempo.

Eles só não dizem que é 100% garantido por precaução, já que tudo pode acontecer neste mundo. Mas o fato é que fica 24 horas no ar, durante 7 dias por semana.

Será que eu preciso de 1 milhão de reais do cidadão pagador de impostos para fazer um blog? Ou esse dinheiro deveria ser usado para bancar um evento tão maravilhoso e benéfico para a sociedade quanto a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo?

O Brasil não carece de leis de incentivo a mais nada. Temos leis de sobra. Aliás, temos tantas leis que até complica o funcionamento das coisas.

O que precisamos é de honestidade e eficiência. Assim não será mais necessário interromper eventos como a Jornada Nacional de Literatura.

Certos artistas também deveriam tomar vergonha na cara. Uma coisa é ser legal, outra coisa é ser absolutamente imoral.

Alguns artistas ganham em um show mais dinheiro do que o montante necessário para realizar a Jornada Nacional de Literatura e, ainda assim, têm a cara de pau de usar suas influências para chegar na frente e levar o parco e miserável recurso público destinado à cultura.

Isso é fomentar a cultura? Certamente que não. É, isso sim, fomentar a tradicional esperteza brasileira. Um país tão esperto que acabou sendo engolido por sua própria esperteza.

Deveriam dar o exemplo, deveriam contribuir para a realização de eventos similares à Jornada Nacional de Literatura, mas... na verdade não estão nem aí para cultura, pois só enxergam o próprio umbigo.

Outro setor que talvez pudesse contribuir mais é o setor editorial. O livro é a matéria-prima deles. Quanto mais novos leitores formarem, mais lucro vão ter com a vendagem dos livros que editam.
As editoras deveriam fazer pipocar em todo o Brasil verdadeiras Jornadas de Literatura. Deveriam promover verdadeiros festivais de leituras.

Os preços do livro no Brasil são absurdos. E olha que não há cobrança de imposto sobre o papel nem sobre os livros. Quer incentivo mais do que este?

Editoras deveriam oferecer também uma contribuição maior para divulgar a arte literária. E não estariam fazendo nenhum favor, pois seria uma grande e poderosa propaganda para venderem ainda mais seu produto: o livro.

Empresas empreendedoras do mundo digital fazem hoje muito mais pela literatura do que qualquer editora. O Clube de Autores, a Amazon, só para ficar em dois exemplos, proporcionam a qualquer escritor levar sua arte a qualquer lugar do mundo, seja através de livros digitais ou através de livros impressos.

O autor não gasta nada, essas plataformas produzem tudo, vendem e entregam em qualquer lugar do território nacional ou do mundo, como é no caso da Amazon.

E outra grande e gigantesca vantagem é que o autor não precisa se submeter a nenhum tipo de avaliação de conselhos literários, cujos critérios para dar sinal verde ou vermelho a essa ou àquela obra são bastante abstratos, para não dizer obscuros.



Nessas plataformas digitais o escritor é tratado com o respeito que merece.


O Brasil possui milhares, literalmente milhares de escritores maravilhosos que estão sendo descobertos pelo público e deixando as editoras tradicionais de cabelo em pé.

Que a Jornada Nacional de Literatura possa também dar espaço a esses autores tão rejeitados pelo mercado tradicional, mas não menos talentosos do que qualquer outro amado pelas editoras, que não perceberam a mudança do mundo, que dormiram em berço esplêndido e que agora, como algumas gigantes por aí, estão em franca decadência econômica e à beira da falência.

A Jornada Nacional de Literatura é uma ótima oportunidade para se discutir esse tema, esse novo mundo, esse novo modo de produção literária, que deu liberdade e voz a milhares de autores ilustres desconhecidos e que permitiu a milhões de leitores descobrir novos nomes, novas escritas, novas formas de pensar, novas formas de literatura.

Um evento como a Jornada Nacional de Literatura sempre traz sangue novo, sempre traz oxigênio puro, sempre traz ar fresco, sempre traz novas ideias para a vida, para a arte, para as pessoas contemporâneas.

Por isso a importância da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo. Por isso meu entusiasmo. O Brasil precisa, sim, de acontecimentos como este. E precisa de modo urgente urgentíssimo.
Sobre a Jornada Nacional de Literatura, vejamos o que disse o reitor da Universidade de Passo Fundo, José Carlos de Souza, que organiza a festa:

Nós continuamos com nossas atividades, buscando na parceria tanto pública, quanto privada, os recursos necessários para realizarmos um grande evento. Temos absoluta certeza que a edição de 2017 será um marco dentro das histórias das jornadas, que já conta com 36 anos. Por quê? Porque ela vem remodelada, ela vem inovada de acordo com os momentos que nós estamos vivendo, então imaginamos que será novamente um evento de muito sucesso.

Eu me pergunto: como um país do tamanho do Brasil permitiu que a Jornada Nacional de Literatura tivesse sua trajetória interrompida por dois anos?

Isso é um crime contra a cultura, contra o desenvolvimento de pessoas, principalmente contra o crescimento e a formação dos mais jovens.

Desta vez o Ministério da Cultura acordou (nunca poderia ter dormido) e forneceu recursos. Ora, tal Ministério existe para isso. Então o que aconteceu? Onde foi parar o dinheiro? Será que gato comeu? Se o dinheiro sumiu para a realização de um evento que transformou Passo Fundo na capital nacional da literatura, imagina para tantos e tantos artistas independentes que estão vendendo o almoço para comprar a janta?

Nosso país precisa urgentemente corrigir suas distorções. E olha que aqui estamos falando apenas e tão somente da produção cultural, sem falar na saúde, segurança etc.

Ou seja, o dinheiro existe, nós pagamos impostos do nível da Suécia e em troca temos serviços do nível da Somália, do Haiti ou quem sabe até pior.

Neste ano a Jornada Nacional da Literatura vai levar a Passo Fundo autores como Affonso Romano de Sant’anna, Marina Colasanti dentre outros grandes nomes da literatura nacional.

São nessas oportunidades de um contato direito entre leitores e escritores que nascem verdadeiras paixões pela leitura. E todo mundo sabe que um povo que lê faz grandes nações. Afinal, como dizia Monteiro Lobato, um país é feito de homens e livros.

O livro abre a mente, mostra outro ângulo, outro ponto de vista para todo e qualquer assunto. Isso gera uma consciência crítica na pessoa que, por sua vez, propicia seu desenvolvimento, através de escolhas mais elaboradas, mais embasadas ao longo de toda sua vida. Conhecimento liberta!


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É exatamente como maravilhosamente diz Luis Carlos de Menezes no site Educar Para Crescer:


Desde que nascemos, aprendemos a interpretar gestos, olhares, palavras e imagens. Esse processo é potencializado pela escola, por meio da leitura e da escrita, o que nos dá acesso a grande parte da cultura humana. Isso envolve todas as áreas, pois, mais do que reproduzir o som das palavras, trata-se de compreendê-las - e quem sabe relacionar termos como paráfrase, latifúndio, colonialismo e transgênico aos seus significados faz uso de um letramento obtido em aulas de Língua Portuguesa, Geografia, História e Ciências, respectivamente.

Enquanto a Suécia e Holanda estão fechando suas prisões por falta de matéria-prima: prisioneiros, o nosso querido e amado Brasil está fechando escolas.

Tenho um exemplo amargo em minha cidade. O Colégio Polivalente de Coronel Fabriciano, em Minas Gerais, escola pública onde eu e minha irmã estudamos, doou uma gigantesca área que antes era usada para as aulas de práticas agrícolas para o Poder Judiciário construir um Fórum Trabalhista.
E agora já tenho a informação que outra gigantesca área outrora destinada à prática dos mais diversos esportes foi doada para a Polícia Militar construir a sede de seu batalhão.

Nada mais me dói tanto!


Ora, quanto mais escolas, menos fóruns, menos batalhões de polícia, menos presídios, menos hospitais.

Mas aqui praticam exatamente o contrário. O inverso do desenvolvimento.

Pior de tudo é que há pessoas que ainda me dizem: “ah, Toni, aquelas áreas estavam abandonadas mesmo...”

Meu Deus do céu, o erro está aí: no abandono de áreas que deveria estar funcionando a pleno vapor em prol da boa educação que naquele colégio eu e minha geração recebemos.

Eventos como a Jornada Nacional de Literatura estimulam o pensamento, estimulam a consciência crítica que pode levar as pessoas a impedirem tais aberrações.

Sem dúvida alguma, nossa população tivesse uma consciência crítica não iria permitir que coisas tão absurdas acontecessem bem debaixo do nariz.

Depois todos se perguntam: por que tanta violência? Por que tanta doença? Ora, onde se reduz as atividades escolares para se instalar atividades judiciais e policiais, o que você quer, cara pálida?
De acordo com pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Maranhão, o jovem universitário brasileiro lê apenas e tão somente de 1 a no máximo 4 livros por ano.

Mas pergunte a ele quantas músicas do dito estilo sertanejo universitário ele ouve por dia.


Eu sei que cada um se diverte como quiser, mas em vez de se aprofundarem na leitura para adquirir conhecimento, optam apenas pela farra vazia, que deveria acontecer apenas depois, bem mais tarde, quando já tivessem conquistado uma base sólida.

Por isso que a cada dia saem das universidades brasileiras, médicos que não sabem sequer aferir a pressão, bacharéis em Direito que não sabem sequer escrever um parágrafo, engenheiros que não sabem fazer cálculos...

Eventos literários como a Bienal de São Paulo, a Flip de Paraty ainda são verdadeiros oásis. Deveriam ser copiados e multiplicados Brasil afora. Nosso país é muito grande e comportaria centenas de eventos assim. A Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo é a prova cabal do que eu estou argumentando aqui.

Quer outro argumento? Então segura esse:


Ainda segundo a pesquisa da Universidade Federal do Maranhão, os universitários do estado do Rio Grande do Sul, onde fica Passo Fundo, leem em média 10 livros por ano.

Por isso a enorme importância do incentivo à leitura desde a mais tenra idade. Devemos frisar que a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo já conta 36 anos.

São quase quatro décadas incentivando a leitura. Isso influenciou gerações que chegaram à Universidade com o maravilhoso costume da leitura.

Não é à toa que o Rio Grande do Sul é um dos estados mais bem desenvolvidos da federação.
Devemos lutar sempre e ficarmos sempre atentos a cortes nas verbas de educação e cultura. Sejamos vigilantes. Não podemos permitir isso.

Devemos ainda lutar não somente contra cortes de verbas, mas também contra o mau uso delas, como andou acontecendo no Ministério da Cultura que despejou milhões nas mãos de artistas famosos e milionários para, por exemplo, criar um blog. É muita avacalhação! É muito deboche! É muito tapa na cara de todos nós que pagamos impostos cada dia mais pesados.

Muitos me perguntam: Toni, o que eu devo ler?


Ora, você deve ler o que te der mais prazer. É assim que vamos aprendendo as coisas.
É claro que, quando estiver fazendo algum curso, você deve devorar toda a literatura específica daquele assunto, isso vai fazer de você um grande mestre no tema.

E este tipo de leitura, bem como a leitura por mero prazer, é eterno. Eu leio de tudo. Há coisas que logo no início eu descarto. Ou por não me interessar no tema ou por estar mal escrito. Faço isso sem nenhum peso na consciência.

Quando incentivamos a leitura, não estamos impondo nenhum tipo de leitura. Creio que isso nunca foi bem esclarecido aqui no Brasil e, por isso, tantas pessoas foram espantadas para longe dos livros.
Leia ficção, não ficção, livro policial, livro erótico, livro biográfico, jornais, revistas, produções impressas ou digitais... apenas leia. E leia o que te der prazer. É assim que gradativamente vamos ficando cultos.

Em um belo dia você vai perceber que, sim, possui um conhecimento acima da média.


Muitos vão pensar que você não faz outra coisa na vida a não ser estudar, mas não é bem assim. Sua cultura, seu amplo saber terá vindo do hábito de você estar lendo um pouquinho aqui, um pouquinho ali. E repito: não leia o que não te trouxer prazer. Simples assim.

Participe, sempre que puder, de eventos literários como a Jornada Nacional de Literatura. O ambiente, a atmosfera, o convício com outros leitores e, principalmente, o contato direto com escritores, poetas, pesquisadores, dramaturgos etc. é uma experiência que não tem preço.

Muitos leitores, depois de participar de eventos literários, acabaram por descobrir que também tinham uma veia de escritor. Muitos grandes escritores surgiram assim. Quem sabe você também não se anima a escrever suas primeiras linhas?

Nunca podemos subestimar a nós mesmos. Todo grande livro, toda grande história começou a ser contada com uma primeira palavra, que gerou uma primeira frase, que gerou um primeiro parágrafo, que gerou uma primeira página, que grou um primeiro capítulo...

É assim que a coisa acontece, é assim que a banda toca. Não pense que os grandes autores já nasceram prontos, pois isso não é verdade. Como eu sei disso? Participando de eventos literários. Participe você também. Você vai adquirir experiência e também oferecer a sua. Todos nós sempre temos algo a oferecer e, com certeza, você também tem algo muito valioso para todos nós.


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