Características de Romances Policiais e suas variações



Características de Romances Policiais quando um leitor busca por um livro de histórias policiais ele espera encontrar crime, suspense e mistério.

De fato, são essas as principais características de romances policiais. Sua estrutura narrativa envolve todo o clima de alguém praticando um crime e outro alguém investigando, buscando de todas as maneiras a elucidação do caso.

Os grandes mestres deste gênero literário conseguem prender a atenção do leitor desde o primeiro parágrafo até às últimas letras do livro.

Aliás, algumas das características dos romances policiais são justamente o despertar da curiosidade em torno de um fato criminoso. Para isso, os autores se utilizam dos mais variados artifícios, inclusive o de induzir os leitores a suspeitarem de personagens inocentes.

E é justamente esse jogo entre escritor e leitor que faz toda a diferença. É essa adrenalina que leva o leitor e consumir, cada vez mais, histórias de cunho policial.

Dentre as características de romances policiais está toda uma engenhosidade para arquitetar a história e narrar os fatos de modo emaranhado, tendo sua solução apenas no final do livro.

Entretanto, apesar de todo esse trabalho que exige, acima de qualquer coisa, muito talento para o desenvolvimento dessa arte, alguns ainda olham atravessado para esse gênero da literatura. Outros até chegam a dizer de que se trata de um gênero de segunda classe.

Ora, será que milhões de pessoas espalhadas pelo mundo afora são assim tão sem gosto?
Não posso e nem quero acreditar nisso. A literatura policial sempre foi muito bem escrita, sempre nos apresentou verdadeiros gênios da arte de escrever e, para horror dos críticos e delírio nosso, esse estilo está em alta.

Hoje até os grandes clássicos do passado estão sendo reeditados para atender à camada jovem da população que, sim, se interessa (e muito) por contos e romances policiais.

Outra excelente novidade é o surgimento de toda uma novíssima geração de escritores que só produzem histórias para o gênero policial. Os talentos estão pipocando por todas as partes, tanto no exterior quanto aqui no Brasil.

Hoje fala-se também no romance policial hot, que é a história policial apimentada por cenas que envolvem muito sexo e erotismo.

O erotismo sempre fez parte da literatura, mas nunca como agora. Isso porque hoje as pessoas estão se sentindo mais livres para curtirem o tipo de escrita que quiserem.

O erotismo hoje não é mais visto como um tabu, como um pecado que vai te levar para o inferno. Não, hoje ele é muito natural, todos já chegaram à conclusão que sexo e erotismo fazem parte da vida humana e pronto.

E isso também está começando a ser mais uma das várias características de romance policial. E que seja bem-vindo!

E o romance noir, o que é isso? A palavra francesa noir (pronuncia-se nuar), quer dizer preto, negro ou obscuro. Ou seja, o romance noir é aquele que ocorre em um ambiente que aqui no Brasil costumamos chamar de submundo.

Nessa característica de romance policial os personagens são, digamos, mais humanizados. Não há um herói perfeito, cheio de qualidades absolutas.

Tanto investigados quanto investigadores se envolvem em todo tipo de práticas inerentes ao ser humano. São corruptos, fazem sexo, envolvem-se em brigas desnecessárias e nunca são politicamente corretos como nos grandes clássicos do passado.

Esse estilo de romance policial tem crescido muito no Brasil e no mundo. Aqui, eu creio que seja por uma enorme semelhança entre os personagens da ficção com o nosso cenário de carne e osso, no que se refere a policiais, autoridades etc.

Também o fato de ser uma obra bem mais humanizada, ajuda o leitor a se sentir mais dentro do contexto, dá bastante verossimilhança.

Eu adoro escrever meus livros dentro do estilo noir, simplesmente sou fascinado por este meio onde os personagens se misturam entre um caminho e outro, onde não há uma linha definida de posicionamentos, independentemente de quem seja o criminoso ou o investigador. Creio que assim as histórias ficam mais atraentes e prazerosas para quem vai ler.

E o que é o estilo Whodunnit?


Whodunnit é a abreviação de Who Done It?, Quem Fez Isso? em inglês, é o tipo de romance policial em que há vários suspeitos para um crime, seja ele roubo, assassinato, sequestro, e a identidade do culpado só é revelada nas últimas páginas do livro.

Neste gênero destacam-se Agatha Christie, Arthur Conan Doyle e Edgar Allan Poe. Aqui no Brasil, vez ou outra, este estilo é utilizado pelos autores de novelas. Quem não se lembra do sucesso sobre e pergunta: quem matou Odete Roitman?

Este é o estilo mais classicão de todos os romances e contos policiais. E quantas vezes é escrito, quantas vezes faz sucesso. Mas não é nada fácil produzir uma história assim, há que se ter muito talento sob pena de o enredo se perder e ficar enfadonho. É preciso manter a pegada de curiosidade e mistério do princípio ao fim.

Thriller Jurídico, um dos estilos mais vendidos


Thrillers Jurídicos são romances policiais protagonizados por advogados, promotores, policiais entre outros envolvidos não só em investigar, como também em provar a inocência ou a culpa de algum personagem que contrata seus serviços.

Esse tipo de livro também mantém mistério em todo o seu enredo, e a solução do mistério só é revelada perante o juiz.

O Thriller Jurídico é um dos mais utilizados pelos autores de séries americanas, e também já fizeram muito sucesso em Hollywood. Mas hoje as séries se multiplicam em quase todos os canais por assinatura dos Estados Unidos, que se espalham por todo o mundo, e fazem enorme sucesso aqui no Brasil. Particularmente, eu adoro!

No rastro e na mesma pegada do thriller jurídico, há também outro que faz grande sucesso: o thriller médico. Thrillers Médicos são romances policiais protagonizados por médicos, que usam seus conhecimentos para combater doenças e epidemias, erros médicos, etc. além de descobrirem circunstâncias e causas de morte através de análises médicas.

E da mesma forma como produzem thrillers jurídicos, as séries americanas embarcaram de cabeça, corpo e alma e criaram verdadeiras febres de sucesso dentro deste estilo. Também gosto muito desse estilo de literatura e de séries de televisão.

O Brasil tem autores importantes dentro do estilo romance policial. Cada um tem sua própria característica de escrita, é claro, mas todos com uma pegada forte na tinta, com um talento abundante que prende a atenção do leitor de cabo a rabo. Vejamos abaixo, alguns desses nomes e seus personagens principais.

1.    Luiz Lopes Coelho - Dr. Leite
2.    Álvaro Cardoso Gomes – investigador Medeiros
3.    Jô Soares – delegado Mello Pimenta e detetive Machado
4.    Luís Fernando Verissimo – detetive particular Ed Mort
5.    Luiz Alfredo Garcia-Roza – delegado Espinosa
6.    Mário Prata - agentes federais Ugo Fioravanti Neto e Darwin Matarazzo
7.    Nilton Cordeiro – detetive Rinus Fang
8.    Pedro Bandeira - Os Karas
9.    Rubem Fonseca – advogado Mandrake
10.                     Tony Bellotto – investigador Bellini



No campo internacional, que envolvem países que são verdadeiras potências, temos o estilo romance de espionagem. São romances policiais geralmente envolvendo investigações de grandes criminosos internacionais, mafiosos, crimes diplomáticos e por aí vai...

Este, dentre todas as características de romances policiais, talvez seja aquele que Hollywood mais explorou, tendo como seu maior ícone o mais do que clássico 007 – James Bond, que é amado no mundo todo há mais de meio século. Eu não perco um lançamento!

A ficção policial é povoada por ingredientes como o temor, o inexplicável, a pesquisa dos dados que cercam o crime, a inquietação intelectual diante dos fatos, a perplexidade, a sede de descobrir o criminoso e os motivos que o impulsionam a cometer o ato ilícito, todos convenientemente combinados nas devidas proporções, conforme o estilo de cada escritor e seu contexto.

Muitas destas obras apostam igualmente na caracterização psicológica dos personagens; são seres normais, como qualquer um, mergulhados em seus dramas pessoais, repletos de aflições, tristezas, ansiedades, pavores e expectativas. Seu público-alvo devora todos os livros de seu escritor dileto, não estão enquadrados em gêneros ou faixas etárias definidas e geralmente navegam pelo romance de uma única vez.

A história deste gênero tem início com a obra Assassinatos na Rua Morgue, do renomado Edgar Allan Poe, lançado há mais de um século; este clássico determinou as principais qualidades estéticas do romance policial. Poe praticamente dita as regras que serão seguidas por seus sucessores; quase todos adotam a figura do parceiro do detetive, que lhe vale como suporte. Também não faltam a aparência austera e a solidão que acompanha o investigador.

No Brasil a ficção policial vem ganhando impulso com escritores como Luiz Alfredo Garcia-Roza, um mestre na arte de caracterizar psicologicamente seus personagens, e em retratar cenários cariocas, onde são ambientadas suas narrativas, protagonizadas pelo detetive Espinosa; e Patrícia Melo, autora, entre outros, de Inferno, vencedor do Prêmio Jabuti em 2001, especialista em mergulhar na mente dos criminosos.

Em São Paulo o campo de ação é de Joaquim Nogueira e seu investigador Venício. É impossível deixar de lado a clássica obra de Rubem Fonseca, ex-policial que se vale da própria experiência na criação de suas tramas, nas quais desfilam os velhos colegas de profissão.

Dentro do genero policial, há várias distinções a fazer. Em primeiro lugar, o romance policial pode ser de detective ou de polícia.

O primeiro é característico das literaturas anglo-saxonicas e o segundo das literaturas do continente europeu (embora ambas as formas possam ocorrer em todas as literaturas).

No primeiro, o herói é um detective particular (por isso este tipo de estruturas denomina-se detective story em inglês).

No segundo, o herói está ligado às estruturas policiais do estado. Como exemplos de detectives, temos Sherlock Holmes, de Conan Doyle, e Philip Marlowe, de Chandler.

Como um exemplo bastante de polícia ficcional, temos Maigret, de Simenon. Por outro lado, o romance policial pode ser analítico (descrito pelo termo inglês whodunit) ou de aventura.

Esta última forma encarnada de forma específica pelo thriller norte-americano, que, a despeito da objeção de muitos críticos (se o policial analítico já é muitas vezes considerado um género menor, o thriller é encarado como uma degenerescência popular do primeiro, com a sua ênfase na excitação e na ação gratuita).

Compactua da mesma estrutura básica do romance policial analítico, embora com várias diferenças: no romance policial analítico, o crime acontece quase sempre antes de se iniciar a investigação, sendo o enredo um desenrolar lógico de um emaranhado de fatos para a resolução do qual apenas o herói está à altura.

O thriller envolve normalmente uma conspiração continuada que o herói tem de derrubar, através dum enredo com muita ação física (a estrutura do thriller é, aliás, a estrutura subjacente à maioria dos filmes de ação). Porque mais geral e abrangente, iremos concentrarmo-nos nas características do romance policial analítico.

Há, apesar de toda a ambiguidade da designação romance policial, um conjunto de características próprias deste género que, de uma forma ou de outra, estão presentes nas mentes de todos os leitores, mesmo os que não apreciam este tipo de literatura, até porque, como já disse, a estrutura básica destas obras é usada frequentemente no cinema e na televisão.

O fato é que, envolvendo ou não a polêmica opinião de alguns acadêmicos que não levam em consideração o valor do romance policial, este estilo é mais do que devorado por milhões e milhões de leitores em todas as partes do mundo.

Eu ouso incluir como uma das características de romance policial o sucesso. Simples assim.
É um dos gêneros mais vendidos na forma de livro impresso, na forma de livro digital, na forma de filmes de longa-metragem ou na forma de seriados produzidos pela televisão.

Ou seja, seja qual for a forma adotada, o romance policial vende, é admirado, é consumido por admiradores em todo o Planeta.



Talvez, um sucesso tão gigantesco assim desperte ciúmes, inveja, sei lá...


Não há outra explicação para, a essa altura do campeonato, alguém ainda dizer que romance policial é subgênero. Não, não dá para engolir isso!

Aqui falamos muito sobre as características dos romances policiais, mas não podemos, de forma alguma, nos limitarmos ao romance. Não podemos deixar de lado os contos policiais.

O conto policial é ainda mais genial do que o romance. Aliás, o grande Edgar Allan Poe, considerado o pai do romance policial, iniciou essa brincadeira toda escrevendo contos. Ele é, de fato, o rei dos contos policiais.

Por que eu considero o conto policial ainda mais genial do que o romance policial? Porque é bem mais difícil escrever uma trama curta do que uma longa.

O espaço para se criar uma boa história com princípio, meio e fim é muito menor. É como um craque do futebol que consegue driblar vários adversários em um pequeno espaço de dois metros quadrados. E são poucos os que conseguem fazer isso.

Eu não sei por que cargas d’água as editoras nunca gostaram de publicar contos. Alegam que não vende. Ora, como não vende? Se você fizer uma simples pesquisa na internet, vai notar que o estilo contos policiais tem uma gigantesca procura. Se tantos procuram tanto, por que as editoras não publicam? Sem dúvida, há alguma coisa muito errada nisso aí.

Luis Lopes Coelho foi talvez o primeiro contista policial brasileiro. Esse paulistano, que viveu de 1911 a 1975, deixou três obras maravilhosas para nosso puro deleite:

1.    A Morte no Envelope (1957)
2.    O Homem que Matava Quadros (1961)
3.    A ideia de Matar Belina (1968)

Luiz Lopes Coelho era advogado e tinha como clientes algumas figuras célebres como Oswald de Andrade e Flávio de Carvalho. Não bastasse isso, o cara também era craque de bola, jogou futebol profissional no São Paulo de 1930 a 1933.

Agora, para nossa total alegria, toda sua obra está lançada em Contos Reunidos, pela editora Sesi de São Paulo. São mais de 400 páginas com os geniais contos policiais deste grande mestre da arte literária brasileira. 

O homem que trouxe esse maravilhoso segmento da literatura para nosso país.


Ao reapresentar a obra de Luiz Lopes Coelho numa nova e criativa roupagem, a Sesi-SP Editora segue uma de suas diretrizes para a escolha dos títulos editados: proporcionar aos leitores a experiência de conhecer o trabalho de um autor que teve grande importância e aceitação em sua época, mas cujo trabalho ficou relegado ao passado.

Segundo a editora, todos os detalhes da edição foram pensados e executados com muito cuidado. Da escolha da tipologia – inspirada nos livros policiais das décadas de 50 e 60 – até a inovadora forma de introduzir a obra e apresentar o autor, com frases que lembram manchetes de jornais sensacionalistas. Um desses “títulos” qualifica Lopes Coelho como “Herói de 32 na Revolução Constitucionalista, escritor, gênio, bom copo, degustador dos melhores pratos, grande apreciador da mulher brasileira”.

Que iniciativas como essa da editora Sesi se multipliquem para que possamos degustar mais obras de outros grandes mestres do quilate do genial Luiz Lopes Coelho.






Fontes:
recantodaspalavras.wordpress.com/romance-policial/
pt.wikipedia.org/wiki/Romance_policial
www.infoescola.com/literatura/romance-policial/
edtl.fcsh.unl.pt/business-directory/7032/romance-policial/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Luiz Lopes Coelho, o criador do conto policial brasileiro

Romance Hot – a nova onda do mercado editorial